Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Auto ajuda 4

 

Não um pin assim, mas deveria existir e como ainda está presa à contagem dos acidentes provacados anteriormente e à imagem da mala, a mulher arranja desculpas que sejam plausíveis e que tenham alguma graça. Leio algures que, se prestarmos atenção, a vida tem imensa graça. Não vem com instruções, mas tem graça. Pois ainda bem.



publicado por Patrícia Reis às 00:06
link do post | comentar |

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Auto ajuda 3

 

Claro que a mentira é evidente, mas que importa? Se todos os acidentes forem entendidos assim, pode ser que consiga chegar ao final da semana. E depois tudo ficará mais leve. Ou mais pesado. Pois depende. Da quantidade de acidentes provocados.



publicado por Patrícia Reis às 00:05
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Auto ajuda 2

 

Por mais que tente, o homem não consegue enganar a mulher. Ela toma as drogas, ele fica com o amor.



publicado por Patrícia Reis às 00:04
link do post | comentar |

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Auto-Ajuda 1

 

A mulher pensou na mala. Está naquilo a que muitos podem dizer que é um escritório, para ela é apenas um monte de coisas desorganizadas e, sendo como é, faz por ignorar, o impulso de arrumar e deitar fora está nela e, ciente disso, fica quieta. Seja como for, a mala está ali e é pequena, cor de rosa, cabem as coisas essenciais e até podia ir vazia. Ir deveria ser um direito e nunca um verbo.

 



publicado por Patrícia Reis às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Domingo, 13 de Maio de 2012
ùltimas horas

O sol pode ser que faça o favor de trazer a Lisboa a hipótese de um domingo feliz, um dia sem fazer nada, ir à feira do livro pela última vez este ano e aproveitar, como tantos fazem, a pensar em aniversários e até no Natal. Se a constipação ajudar, lá estarei às quatro na Planeta para assinar o Diário do Micas, às 17h na Praça Leya.



publicado por Patrícia Reis às 10:55
link do post | comentar |

Sábado, 12 de Maio de 2012
A total incompreensão do barulho dos outros

Há forma de estar. Tomou nota de todas e, por isso, em princípio, consegue manter a postura. Opta por brincar aos castelos medievais com os miúdos e percebe logo que tudo será mais fácil se ficar ali a ver quantos gatos é que existem, onde está o cão que dorme e aquele que tem um osso. Os miúdos querem fazer uma corrida de carros e depois dançar. Adormecem contra vontade na cama da mãe e, nessa altura, a mulher não tem outra hipótese, tem de se sentar com os restantes, ser simpática, ouvir, dizer pouco. Sem entender um potencial mal entendido entre duas pessoas sente o coração a disparar, uma arritmia, mas ninguém sabe que o som do coração ultrapassa o das gargalhadas ou da música étnica. Ninguém pode imaginar que o coração dela é hoje um músculo diminuto que não está pronto para enfrentar mal entendidos. A mulher sente os corações no peito, na garganta e, quando o prato chega à sua frente, pode até ver o formato do músculo da vida em tiras de uma carne embrulhada em puré de qualquer coisa. Experimenta o vinho, tenta acompanhar com interesse a conversa do lado, mas a sua cabeça já está dentro de uma outra história e a história é sempre a mesma: podia estar a fazer, a escrever, a olhar para a lareira, encostada ao meu marido a ler, a dormir. Dormir tornou-se uma obsessão e, à francesa, sem nunca ter entendido a origem da expressão, despediu-se de todos, atravessou Monsanto, viu as putas e os clientes, entrou na auto estrada, fez o túnel do Saldanha, subiu ao lugar de trabalho, um espaço estranhamente silencioso, deixou um pacote e um recado escrito à pressa. Voltou ao carro e driblou todos os semáforos. Em casa, por fim, deixou-se estar a ver as gatas na almofada, as gatas a pensar: irra, fecha a luz. Tomou duas pastilhas para dormir e, apesar do vazio do quarto, sabe que a culpa de estar sozinha é só dela. A sua pele não aguenta a pele dos outros. A sua cabeça está cheia de algodão. Todas as desculpas são válidas. Sem ouvir, ainda ouve o piano de Sassetti, Lisboa que Amanhece, de Sérgio Godinho, na voz de Carlos do Carmo. Naquele jantar talvez ninguém saiba que a música está orfã de um talento. A mulher também não o diz, não quer falar da morte estúpida aos 41 anos.

Não vale a pena dizer nada do que sabe ou fez, prefere ouvir os outros até um limite, o tal em que o coração dispara e o corpo começa a mostrar sinais de suor. É como uma campainha, um atleta de alta competição que salta à vara, está de saída. Está sempre de saída e regressa sozinha. Não se pode admirar.



publicado por Patrícia Reis às 02:00
link do post | comentar |

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Bernardo

 

O bizarro foi perceber que não era mentira. Que não era um boato.

Bernardo tinha a minha idade. Gostava de fotografia. Morreu. Estupidamente. Como sempre a morte tem este lado estúpido.



publicado por Patrícia Reis às 17:20
link do post | comentar |

Um pouco

Um pouco de paz na calçada. Mesmo que a cidade esteja a fervilhar à volta, o barulho dos carros seja um sinfonia sem sentido e qualidade, a mulher faz o caminho a pé para estar isolada. O telefone no silêncio. O som dos sapatos não se ouve. A cabeça dela mantém-se a fervilhar, tenta desligar, ver as pessoas, os prédios e esvaziar.

Ela pensa que paz pode ser só isto?

Não, não se engana. Faz de conta. Apenas um pouco.  



publicado por Patrícia Reis às 10:01
link do post | comentar |

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Devagar

Devagar é uma palavra que atrapalha.

Como descansar.

Ou relaxar.

Ou talvez.

Mas devagar chega a ser penoso. Como: "tens de ter calma."

Isto pensou a mulher sentada no avião a caminho da outra margem do oceano. Pediu vinho tinto e a hospedeira sorriu perguntando se queria do Douro ou Alentejo. A mulher encolheu os ombros e ficou com um copo cheio de vinho de uma região qualquer não identificada. A hospedeira já não sorria. "Parece que temos de saber de vinhos também, além de ter calma." As conversas com as vísceras são, na sua maioria, feitas de farrapos de coisas. A janela do avião irrita-a.  Não gosta de voar. Bebe o vinho e toma um indutor de sono. "Agora sim, terei imensa calma e irei devagar, voarei devagar."



publicado por Patrícia Reis às 00:02
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Engoli-te

Engoli-te.

Estávamos a almoçar no mesmo restaurante e eu não contive o impulso. Aproximei-me de ti e foste. Quer dizer, estás dentro de mim e serás, decerto, expelido devidamente como o nojo que és.

Engoli-te por te ter visto com uma miúda, tu de cabeça ao lado e eu com o coração da minha irmã no bolso.

Engoli-te porque pessoas como tu merecem tsunamis inesperados, imprevisíveis, impossíveis. À miúda eu disse:

 

Ganhas mais do que perdes.



publicado por Patrícia Reis às 00:15
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Fácil? Nem por isso



publicado por Patrícia Reis às 00:52
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma boa prenda



publicado por Patrícia Reis às 00:04
link do post | comentar |

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Simples



publicado por Patrícia Reis às 00:50
link do post | comentar |

Domingo, 6 de Maio de 2012
Medos não têm piedade

A frase não estava encaixada onde deveria, pouco importava, medos não têm piedade nem soava bem. Ninguém ouvira, não fazia mal. Nada fazia mal. O que é que faz mal nos dias que correm, perguntava-lhe a empregada doméstica? Nada. Os ossos doem, as contas acumulam-se, há um nada, uma importância de nada, que está em tudo e, por isso, ter os medos já não são papões no guarda-fatos prontos para ataques nocturnos. Os sonhos são outra conversa e ela não queria ir por aí. A empregada perguntou se podia retirar o santo da redoma de vidro, para limpar o pó. E ela pensou: o pó entra no vidro? O pó acumula-se por fora. Depois fez que sim com a cabeça. Segundos depois ouviu um ruído, um ai, uma espécie de grito contido. A empregada, na sala, joelhos no chão, apanhava os cacos do santo. Sim, não há piedade. Em nada.



publicado por Patrícia Reis às 00:45
link do post | comentar |

Sábado, 5 de Maio de 2012
Palavras

As palavras são muros de defesa. Para quem as domina podem ser letais. Há um poder quando têm som, um poder maior quando estão escritas e podemos ler e reler. Há coisas que nunca deveriam ser escritas e outras que fazem falta. Pela cidade encontro alguma poesia, um amo-te Alexandra, um diz adeus à guerra, letras que formam palavras, palavras que formam ideias. Na minha cabeça as palavras estão esgotadas ou cansadas. Ou então sou apenas eu. Hoje. Amanhã será outra coisa.



publicado por Patrícia Reis às 00:38
link do post | comentar |

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Regressar

A mulher decidiu regressar devagarinho e, por isso, optou pelas escadas. Ir de elevador pode ser perigoso, não tanto pela questão técnica, mas por ter de dizer bom dia a alguém, o tempo está mau lá fora, quer ajuda com os sacos? Coisas destas. Subiu os degraus com lentidão e esforço, a mala não estava muito pesada, mas mesmo assim. Uma mala não é uma vida, mas pode ser. A cada degrau, a mulher parava. Olhou para a mão direita e viu as marcas da pega, vincos vermelhos. Por fim, já em frente à porta de casa, decidiu que talvez fosse melhor ir de elevador e regressar à rua, para dentro da chuva, como alguém que é pó e se pode dissolver e escorrer pela calçada.



publicado por Patrícia Reis às 00:42
link do post | comentar |

Domingo, 29 de Abril de 2012
Até já

 

Por razões de força maior - familiares, literárias e outras - estarei ausente durante uns tempos. Até já.



publicado por Patrícia Reis às 03:08
link do post | comentar |

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
bom fim de semana



publicado por Patrícia Reis às 19:32
link do post | comentar |

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
As mães. Sem as mães? Nada

 

A publicidade não podia ser mais eficaz. A mensagem está lá e as marcas apenas no fim. O respeito é evidente. O desporto está acima do resto, dos negócios, dos logótipos. É uma homenagem às mães. Música do italiano Ludovico Einaudi.



publicado por Patrícia Reis às 11:10
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Hoje é assim

 

A mulher podia ter feito outros gestos. Ficou parada durante muito tempo. A noite engolia tudo. O silêncio desdobrado em ruídos só do prédio, canos, soalhos, portas e elevadores lá longe.

A mulher começou a escrever na escuridão.

Sem óculos, sem computador, sem incomodar quem dormia ao lado. E escreveu um capítulo inteiro e depois adormeceu.

Hoje não se lembra de nada, quase nada, não importa. Não considera que esteja na nuvem do impossível, está onde precisa e pode estar. Escrever também é isso.



publicado por Patrícia Reis às 09:20
link do post | comentar |

por este mundo acima_
Por este mundo acima
mais sobre mim_
pesquisar neste blog_
 
arquivos_

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Os Livros_

Por este mundo acima
Comprar livro

O Diário do Micas
Mistério no Oceanário
Comprar livro

O Diário do Micas
Mistério na Primeira República
Comprar livro


Antes de Ser Feliz
Comprar livro

No Silêncio de Deus
Comprar livro

Amor em segunda mão
Comprar livro

Beija*me
Comprar livro

Cruz das Almas
Comprar livro

Morder-te o coração
Comprar livro

Vasco Santana - O Bem-Amado
Comprar livro

O Diário do Micas
Mistério no Museu de Arte Antiga
Comprar livro

O Diário do Micas
Mistério no Museu da Presidência

O Diário do Micas
O Mistério da Máscara Chinesa
Comprar livro

O Diário do Micas
Um Mistério em Serralves
Comprar livro

A Fada Dorinda e a Bruxa do Mar
Comprar livro

Xavier
O livro esquecido e
o dragão enfeitiçado
Comprar livro

Em busca da Felicidade
Comprar livro
subscrever feeds_