Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Carlos do Carmo é o primeiro português a conquistar um Grammy

A Latin Recording Academy anunciou hoje ter agraciado o cantor de "Um Homem na Cidade" com o Prémio à Excelência Musical - "Lifetime Achievement" no original em inglês -, uma distinção única que pretende celebrar a carreira de um artista.

 

Carlos do Carmo é o primeiro português a conquistar um Grammy

Carlos do Carmo tornou-se o primeiro português a ganhar um Grammy e logo numa das categorias mais consideradas, o "Lifetime Achievement", entregue apenas aos artistas pelo conjunto da obra que produziram ao longo da sua carreira e não devido ao êxito que lograram com determinada canção ou álbum.

O fadista português foi ontem informado pelo próprio presidente da Latin Recording Academy,  Gabriel Abaroa Jr., que havia vencido o Grammy, tornando-se assim no primeiro português a conquistar um galardão que também já foi entregue a Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Elvis Presley, Miles Davis, Bob Dylan, Billie Holiday, James Brown, Tom Jobim, David Bowie, Leonard Cohen, Johnny Cash ou, já este ano, Kraftwerk, Ney Matogrosso e Los Lobos.

O Grammy é considerado o maior e mais prestigiado prémio da indústria discográfica, estando previsto que o troféu seja entregue a Carlos do Carmo no próximo dia 19 de novembro deste ano, no Hollywood Theater da MGM, em Las Vegas, Estados Unidos da América. Nesse mesmo mês estreará em Portugal um filme documental sobre a vida e a obra de Carlos do Carmo realizado por Ivan Dias.

Neste momento, e até ao final do ano, estará patente na Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição "Carlos do Carmo 50 Anos" cuja inauguração sucedeu depois do lançamento do álbum "Fado É Amor", também ele publicado em jeito de celebração do 50º aniversário da sua carreira e onde contou com a colaboração de Mariza, Ana Moura, Carminho, Camané e Aldina Duarte entre outros fadistas das mais recentes gerações. 

Aos 74 anos de idade, Carlos do Carmo chega assim ao ponto mais alto da sua carreira. Filho de Alfredo de Almeida, que veio a ser proprietário da casa de fados O Faia, situada no Bairro Alto, e de Lucília do Carmo, uma das mais distintas fadistas do século XX, de quem viria a adotar o apelido, Carlos do Carmo nasceu em Lisboa a 21 de dezembro de 1939 onde ainda hoje vive.

A sua carreira teve início aos 9 anos de idade,  quando gravou um primeiro disco, mas os registos oficiais dão 1964 como o tiro de partida para um percurso carregado de canções que ficaram na história da música portuguesa.

São igualmente inúmeros os prémios e distinções que ao longo de uma carreira de mais de 50 anos distinguiram a sua arte de respeitar e, ao mesmo tempo, inovar o fado. Partindo do chamado fado tradicional, mas com uma bagagem musical onde podemos encontrar Frank Sinatra, Jacque Brel, Elis Regina ou José Afonso, Carlos do Carmo foi construindo um reportório de onde se destaca o álbum "Um Homem na Cidade" entre muitos outros espécimes da mais alta estirpe que gravou ao longo da sua carreira.

De entre as sua canções mais populares destacam-se interpretações como "Os Putos", "Um Homem na Cidade", "Canoas do Tejo", "O Cacilheiro", "Lisboa Menina e Moça", "Estrela da Tarde", "Duas Lágrimas de Orvalho" muitos deles escritos com José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho.

Carlos do Carmo foi também um dos maiores defensores do património fadista. Com Rui Vieira Nery protagonizou a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, distinção que viria a ser atribuída pela UNESCO em novembro de 2011. Para a divulgação do fado "lá fora" também foi instrumental o seu papel no filme "Fados", dirigido pelo realizador espanhol Carlos Saura e estreado em 2007 com a sua participação e também a de Mariza, Camané, Carminho, Argentina Santos além de Chico Buarque de Hollanda e Caetano Veloso.

Entre as suas apresentações públicas mais relevantes contam-se espetáculos nalgumas das mais prestigiadas salas de todo o mundo como o Olympia de Paris, Ópera de Frankfurt, Royal Albert Hall de Londres, Canecão do Rio de Janeiro, Savoy de Helsínquia ou a Ópera de Wiesbaden. Em Portugal, atuou no Mosteiro dos Jerónimos, no Centro Cultural de Belém, no Grande Auditório da Gulbenkian, no Coliseu dos Recreios ou no Casino Estoril.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/carlos-do-carmo-e-o-primeiro-portugues-a-conquistar-um-grammy=f878643#ixzz36DiDOAVr

publicado por Patrícia Reis às 00:42
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frases feitas

Dentro deste planeta está o meu herói.

 

Muito pequeno.

 

Muito sossegado.

 

Sem rosto.

 

Ainda.

 

Bocejando.

 

Com o dedo na boca.

 

 

 

A minha barriga estica como um elástico.

 

O meu sexo é redondo.

 

Sou um planeta.

 

Sinto-me o universo.

 

Central.

 

Essencial.

 

 

 

Somos dois.

 

Um só.

publicado por Patrícia Reis às 00:03
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Casas comigo?

Ficou a olhar o braço adormecido, a curva do ombro, os pêlos finos, os sinais do pescoço, a pequena cicatriz no queixo, os lábios entreabertos, a respiração ritmada que lhe movimenta o nariz, os olhos pequenos, fechados sem esforço, a testa lisa, nem uma ruga, uma moldura de pequenos trabalhos brancos que espreitavam a almofada. Fixou a mão pequena com as unhas rentes. O lençol escondia o resto do corpo daquele homem que dormia ao seu lado, sem saber que era olhado.

       O despertador cintilava as dez e trinta e seis em números vermelhos.

Pensou no tempo, nos dias e depois nos anos, nas noites inteiras que dormiu qo seu lado; nos gestos habituais, a roupa bem pendurada, as peúgas nos sapatos escondidos por debaixo da cama, um cinto pendurado naquela estrutura a que chamam “mordomo”, uma revista no chão, uma pilha de livros e papéis que um dia entregará à contabilista, um dia.

Pensou na primeira vez, na manhã em que acordara com ele, naquele resmungar rouco de quem odeia as manhãs mesmo que já sejam quatro da tarde. Semicerrou os olhos. O corpo mexeu-se vagorosamente, abraçou a almofada e prosseguiu no sono. Ficou a olhá-lo sem se mexer, o seu rosto mesmo ali, centímetros que não valiam o esforço de uma conta. Sem falar, chama-o pelo nome, uma vez, duas vezes, assopra-lhe junto aos lábios, acorda...

 

publicado por Patrícia Reis às 00:36
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