Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Por exemplo

Por exemplo: a mulher podia ficar calada.

Por uns segundos ainda aguentava, mas depois era mais forte que ela, que qualquer pensamento racional. O pragmatismo ia à vida e começava a debitar ideias, umas atrás de outras, como quem colhe cerejas ou fica pela tarde dentro numa conversa sem fim sobre o tudo e sobre o nada. Outro exemplo: a mulher podia gritar um palavrão - que alivia de forma única - e dizer que não tem paciência, que não quer falar das mesmas coisas e que precisa, precisa mesmo de mudar de vida. Mas não. A mulher seguia o seu rumo, fazia pisca para a direita, parava na passagem de peões, muito civilizada, muito cuidadosa para não tratar ninguém como se fossem anormais, embora o conceito lhe escapesse. Mais um exemplo: a mulher podia optar por deixar de pensar. Difícil, mas viável para tantas mentes, logo deveria ser possível. Deixar de pensar significava que os pensamentos em camadas - em média nove - seriam eliminados e ela dormiria. Seria um zombie. Não um vampiro, um zombie como tantos outros.

Não. Todos os exemplos eram apenas retóricos e a mulher já o sabia antes de reflectir na possibilidade idiota de os concretizar.

Para a frente, portanto. Em força. E com o escalpe bem aberto para que as ideias possam esvoaçar e tomar conta de tudo. Um dia pode ser que se perca numa ideia. Isso seria bom.

publicado por Patrícia Reis às 01:03
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2 comentários:
De Um Jeito Manso a 28 de Fevereiro de 2013 às 22:27
A mulher que escreve não é a mulher descrita? Estão dissociadas? Não se revêem uma na outra?

Perguntas retóricas, claro.


De Patrícia Reis a 1 de Março de 2013 às 08:49
A retórica é sempre boa:) a mulher que escreve é sempre outra. Bj


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