Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013

Se fosse simples

A mulher tem dificuldade em dizer do vazio que a enche, um vazio que chega à cabeça. Fica num silêncio que lhe parece doente e, de repente, percebe que tudo lhe parece doente. Repete-se. Para dentro. Sempre para dentro. Na rua, mesma ali perto, há alguém que se ir, uma gargalhada que fere, apenas a ela, a mulher que escuta. Não se lembra de como se faz uma gargalhada. Dos poemas que leu aprendeu a fazer azul, mas gargalhadas? Não. Tem a noção perfeita, mais que perfeita, da teoria e da prática, o que as distancia. Conhece bem quem diz que A está certo e depois faz B. Portanto, em teoria ela deveria saber as componentes de uma gargalhada, mas é segunda-feira e não consegue perceber nada, é o tal vazio ou outra coisa qualquer.

publicado por Patrícia Reis às 09:58
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1 comentário:
De Sónia Cardoso a 23 de Setembro de 2013 às 13:22
Há dias em que as gargalhadas incomodam, suscitam uma irritabilidade incontrolável, como um ruído ensurdecedor que nos enlouquece.
Há dias assim... é preciso dar tempo ao tempo :) Beijos


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