Na varanda faz frio.
Está a chover.
O cão tem de ir à rua, pouco importa o tempo.
Eu tenho frio e doem-me os ossos, mas isso não vale nada, eu tenho sempre frio e doem-me sempre os ossos; é até banal dizer uma coisa ou outra, escusado, aborrecido, cansativo. Para mim e para os outros, calculo.
Tenho os meus dias, hoje não é um bom dia.
Estou aqui à espera que uma criatura mais alta do que eu, mas com catorze anos, me explique a razão que me impedirá de lhe dar dois berros.
Posso enumerar as desculpas todas, eu sei as desculpas todas.
Apesar disso, considerando o tipo de criatura, espero um pouco de originalidade.
Pode ser que, depois, os ossos doam na mesma, o frio persista, mas o coração aqueça.