Podia ser outra perspectiva, uma epifania, um loucura. Não. Assim, a mulher pensou Não olhes agora, agora que não sou ainda eu, estou a regressar do buraco que não entendes. Vieram as bebidas e depois a comida e eles continuaram a refeição falando disto ou daquilo, das calças cor de rosa de um homem com ar estranho, de uma estrangeira a beber pela palhinha sem lhe ter tirado a protecção de plástico. Ficaram a ouvir o mar, a ver os carros. Não havia nada de estranho no silêncio. Ele com uma música na cabeça, ela com um livro, ambos a reencontrarem-se nas mãos que se largam e se juntam, pequenos passos na calçada, tanta coisa por dizer, tanto barulho calado por simples vontade de viver melhor. Sim, a vida é essa tentativa de querer viver melhor. A maiorias as pessoas talvez não o saiba. É a grandeza das coisas pequenas.