Olha, eu não vou dizer nada, o silêncio guarda tudo e guarda ainda o meu corpo e depois de tudo, dos dias e das horas, da luz da lenha no rosto, do rebolar do cão, podia tecer considerações várias sobre o medo, mas isso assusta-te e generalizas, todos temos; podia dizer-te apenas que era melhor se estivesses aqui do que estares aí, até seria possível, imagina tu, ter aquele gesto de sossego que esperas há tanto. Mas há qualquer coisa que me mantém apenas nas palavras e as palavras são como um saco preto do lixo, guardam tudo, levam e escondem. Oiço-me dizer que o medo cria medo. Como não te é dirigido, não ouves. E eu ainda te oiço: sabes o que tens?