Sem fazer muito ruído, para não maçar ninguém, escrevo para dizer que não me esqueci. Tento não me esquecer de nada e fazer por recordar.
Vou lendo as coisas de marujo dos céus e outras.
Vou tentando falar sempre como se a morte não existisse, por saber que aí onde está, seja como for, está comigo um bocadinho.
Pode ser egoísta, e se for, peço desculpa, ou talvez não que por estes dias ando cansada de pedir desculpa. Posso ter um avô só para mim, um avô que teve nove netos, dois bisnetos, cinco filhos, que posso recordar como sendo "meu".
Ninguém se ofende. É amor. É o preservar da memória.
O que lhe podia contar destes dias daqui não é de grande monta, porém há algo que o fará sorrir: ontem o Sebastião fez 18 anos e estava feliz.
O Henrique imita o Cavaco de uma forma perfeita e é só rir, tenho a certeza de que lhe arrancaria uma ou várias gargalhadas.
Cá estamos todos, portanto, com a cabeça entre as orelhas.
A saudade só se tem de quem se ama, por isso está tudo bem.