Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013

Para ler e ouvir, Filipa Leal, Cidade esquecida

http://www.lyrikline.org/pt/poemas/cidade-esquecida-8084#.Ur-DbPbyvKl

 

Ela disse: Sou uma cidade esquecida.
Ele disse: Sou um rio.
Ficaram em silêncio à janela
cada um à sua janela
olhando a sua cidade, o seu rio.
Ela disse: Não sou exactamente uma cidade.
Uma cidade é diferente de uma cidade
esquecida.
Ele disse: Sou um rio exacto.
Agora na varanda
cada um na sua varanda
pedindo: Um pouco de ar entre nós.
Ela disse: Escrevo palavras nos muros que pensam em ti.
Ele disse: Eu corro.
De telefone preso entre o rosto e o ombro
para que ao menos se libertassem as mãos
cada um com as suas mãos libertas.
Ela temeu o adeus, disse: Sou uma cidade esquecida.
Ele riu.

 

Nota: quem for ao link pode ouvir o poema pela voz da autora.

publicado por Patrícia Reis às 00:09
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