Sabes, não gosto de futebol. Pouco importa. Fico contente porque o teu Benfica é campeão.
Tu ficarias. Feliz e com a cara cheia de uma comoção contida.
Tu eras um homem contido e bom.
Quando a tua equipa entrou em campo, nós reunimo-nos na igreja dos Salesianos, celebrámos a Páscoa e os sete dias da tua morte.
Por fim, a tua mulher chorou.
Como águias, os teus filhos, ali perto da mãe.
A tua mãe, o teu pai, a tua irmã, o teu irmão, os teus sobrinhos e o resto da família e amigos, todos alinhados numa dor que não conheciam antes. E eu com eles, a querer chorar mais um pouco e sem ser possível.
Li o texto que escrevi e, prometo, não gozei, não disse nenhum disparate de maior e tão-pouco proferi o tal palavrão que me alivia as horas mais difíceis.
Deves ter achado que estava muito séria, o meu coração do tamanho de uma ervilha e ainda as palavras da Paula
Eu estava à janela e vi-o a jogar futebol com uns amigos. Não o conhecia, mas era urgente conhecer. Foi amor à primeira vista.
E foram trinta anos de cumplicidades, eu sei.
Não devias ter ido tão cedo, sabes?
Ninguém queria o teu sofrimento, é evidente, e a morte pode ser alívio. Mas hoje, com sessenta e cinco mil pessoas na Luz a festejar um jogo que eu não entendo, só consigo imaginar-te numa nuvem a sorrir e a brindar.
Estejas onde estiveres, peço-te, não faças maratonas de playstation, ok?
Pronto. Vai lá celebrar e toma conta dos teus e de mim enquanto aí estás.
Um beijo grande daqui para aí.