Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

cimento e lágrima

Roubas ao Chico Buarque o verso, é sempre bom ser do Chico, afinal quem é que escreve assim, palavras que são dele e são nossas mesmo antes de o sabermos? Por isso, em construção, no dia de samhain, apropriado para quem começa uma face negra da vida, cá estás a ver se a chuva te lava as ideias, certa de que nem a chuva te purifica, certa de que agora é tarde. Tentas retomar o assunto e entender como chegaste aqui, afinal como é que se chega aqui? Defines aqui. Já tinhas construído o vazio, depois ignorado janelas abertas e ainda forças estranhas dentro de pessoas igualmente estranhas, por isso terá de existir uma rota que foi a que tomaste, que te trouxe aqui. Repetes: o passado não é a tua identidade. Repetes: a culpa é católica, tu és cristã. Repetes: não entendes nada. E ficas assim, a não entender nada. São duas e meia da tarde, o telefone toca e não há resposta. Cimento para o que está para trás; lágrimas de agora. E depois a chuva, outra vez a chuva, a ver se resulta.

publicado por Patrícia Reis às 14:21
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