Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

da enorme dificuldada de se ser

Não vamos discutir o sentido da vida que isso é uma chatice e não adianta.

 

Se tu dizes.

 

Vamos discutir a nossa vida.

 

Alguém me disse, há muito tempo, que quando começamos a falar da nossa relação é porque esta terminou.

 

Que pessimista.

 

Queres falar sobre o quê?

 

Tu estás satisfeita?

 

Satisfeita com o quê?

 

Com a relação?

 

Nunca pensei nisso. Tu estás?

 

Preciso de tempo para pensar.

 

Ah.

 

Decidi ir uns dias para fora... Para pensar.

 

Mas...

 

É o melhor.

 

Para ti ou para mim? Ou para nós?

 

Para todos.

 

Ainda bem que pensas assim. Vais ali como quem vai comprar cigarros?

 

O que queres dizer?

 

Quero saber se voltas ou se posso mudar a decoração da porra da sala e tirar o plasma enorme e desproporcionado, desactivar a BenficaTV e mais umas porras?

 

Estás muito agressiva?

 

Achas? Não me parece. Sinto-me bastante calma.

 

O homem levantou-se da mesa. Saiu da sala e reapareceu, minutos depois, com um saco desportivo na mão.

 

São uns dias.

 

A mulher serviu-se de mais vinho e sorriu. Acendeu um cigarro e olhou pela janela. Continuava a chover.

 

(nota: este diálogo é pura ficção. Agradecida)

 

 

publicado por Patrícia Reis às 18:12
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