Sábado, 26 de Abril de 2014

desobedecer

Às vezes, é preciso desobedecer, disse Salgueiro Maia.

A mulher pensou se a frase seria verdadeira, considerou a história e acatou.

Na sua vida trocou os "às vezes" por "quase sempre".

Desobedecer é um abismo de liberdade permanente que a obriga a ver as coisas que não quer e a não ver as que tem. Alguém perguntou

 

Sabes o que tens?

 

Ela sabe, mas é desobediente. Podia ser uma mulher com uma agenda normal, encaixar no padrão, ficar à vista de todos a forma certeira com que seguiria os passos dos outros.

Desobedecer está nela, na sua essência.

Desobedecer é ela. Mesmo quando acata. E acata muitas coisas.

Engole silêncios, telemóveis mudos, mensagens que não chegam, momentos de paz adiados.

Pinta com outras cores tudo o que lhe é devolvido sem explicação.

E trabalha. Está sempre a trabalhar. Para que a desobediência não seja tão evidente e a dor possa minguar.

publicado por Patrícia Reis às 00:09
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