Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

E o homem na varanda

O homem na varanda fala pausadamente.

Bebe de modo igual e até o cigarro dura mais tempo.

O tempo dele é outro.

Esta Lisboa que vê da varanda não lhe diz muito. Não lhe diz nada.

O homem na varanda não vinha a Portugal há quinze anos.

É um dos meus cunhados.

Tem uma história. Pormenores, alegrias, acidentes que desconheço.

Três netas com nomes que soam a estrangeiro - yumi, la salette, alanis - e a fotografia da mulher, na carteira, uma fotografia a preto e branco quando Teresa andava pelos dezoito anos.

Do meu cunhado (des)conhecido, que nunca tinha comido gaspacho e insistiu que o nosso cão é do sexo oposto, ficou-me um sorriso.

E a noite terminou assim.

Ele ficou na varanda, com os irmãos, eu recolhi ao quarto. O cão à cozinha.

Não há nenhum barulho. É sexta-feira e falta vinte e quatro minutos para a meia noite.

 

publicado por Patrícia Reis às 23:32
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