Isso sempre me pareceu evidente.
O deserto é, antes de tudo, a perda do rosto.
A imagem, em sua muda violência, é sonora.
Ela coage a perfeita escuta: a do infinito, da eternidade,
do Tudo tornado novamente o Nada;
pois é a partir desse Nada teimoso, envolto de silêncio que,
de ora em diante, veremos e ouviremos.
Um rosto emerso de sua ausência. Desenhado à medida que
esta o descreve.
Ousaremos fixá-lo? Não, jamais o poderíamos.
Todos esses rostos me falam. Eu os reconheço.
Vindos dos mais longínquos, como se o infinito se entrea-
brisse.
A solidão é povoada.
(roubei à Inês, ela perdoa)