Meu querido Eduardo.
E passou outro ano. Um ano de loucos, se queres saber. O mundo é coisa pouca comparado com o céu. Terás outras companhias e, algumas, serão uma surpresa.
Aqui, a rotação dos ponteiros pode ser medonha, porém isso não te deve importar, que limitações de tempo é que tens? Calculo que nenhumas.
A MM publicou a Teoria dos Limites, um belo livro, é como um amor antigo, de pele, de cabeça. É um livro louvado pela crítica e, imaginas, ela surpreendida, aflita.
E depois a Inês a sair da Casa Fernando Pessoa, uma história que irá provar que o povo tem razão: atrás de mim virá, quem de mim bom fará. Estou convencida de que a Casa deixou de existir. Seja. Há outras coisas.
A Inês escreve. A Bia foi operada duas vezes. O Carlos está igual a si próprio. Faz um calor abafado em Lisboa mas não sabe a Verão. Os miúdos já não são bem miúdos, quase-homens. Gostarias de algumas conversas. Tenho a certeza. E terias gostado de ver o Diogo Infante no São Luiz a dizer a Ode Marítima.
De resto? Bom, o Governo é uma coisa que não se explica. Especula-se sobre as eleições primárias no Partido Socialista, marcadas para dia 28. Será entre o Seguro e o Costa. A ver. O crime perfeito podia ser rico e poderoso, porém nem tudo corre de feição e Ricardo Salgado estoirou com um império.
O Mundial de futebol foi no Brasil. Nada de novo nessa área. O que está a dar? Estar nas redes sociais a combater a solidão. Imagina tu que há pessoas que fazem anos e estão no FB à meia-noite, agradecendo de imediato. É tudo muito estranho. Recebo mensagem impossíveis de reproduzir, acredita.
Morreu Rangel. Dóris Graça Dias e outros. Disso sabes tu aí onde estás.
Todos os dias tento ler e escrever e todos os dias me pergunto para que serve. Aquelas coisas parvas. MM ouve-me com uma atenção extraordinária. Há dias em que passo os números de telemóvel e lá estás. Não imaginas a falta que fazes. Beijo-te.