Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

espera só um pouco

 

Ele não disse isto, nunca diz, não é necessário. Ela também não espera ouvir nada. Alguém atende o telefone e a vida recomeça, é preciso resolver qualquer coisa. Os dias passam uns sobre os outros e já estamos às portas de Fevereiro. Mas quem é que os está a contar? Ele não disse, ela ouviu e espera. Um pouco que pode ser muito, um pouco que pode ser para sempre. Seja o que for, existem muitas coisas para fazer e o melhor, sabem os dois, é não pensar nisso. Ninguém classificará o "nisso", demonstrativo ou não do estado a que o tempo os entregou. É a vida. É uma fase. É a chuva. É tudo aquilo que não foi dito e o que já se sabe. Sempre em rodinha fechada, sempre a morder o rabo, sempre a fazer como os ratinhos nos labirintos de laboratório. Correr à espera de chegar ao ponto de partida, comer o queijo, ser recompensado. O tempo não é uma recompensa.

publicado por Patrícia Reis às 09:04
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