A senhora na portagem não me diz nada, nem bom dia, nem olá. Fico órfã desse cumprimento, sigo sem parar, privilégios da via verde, uma invenção portuguesa. Gostaria de ter parado. Assim, fiquei apenas com o vislumbre de tristeza de quem está, uma vida, dentro de uma cabine no meio da auto-estrada. A minha vida é menos triste, penso. E depois, de imediato, uma estalada mental:
Presunçosa.
A senhora na cabine da portagem é feliz. Decidi que ela é muito, muito feliz.