Vou inventar um outro modo de estar. A mulher decidiu isto quando percebeu que não pode desligar o telemóvel e que o modo silencioso não lhe basta, vê a coisa tremer, estrabuchar, vibrar, faz um ruído enervante. Quer um modo de só. Só para ela. De estar só. Nada que uma aplicação lhe possa dar, porém é o que precisa. Bebe uma imperial. Ela não bebe cerveja. Agora bebe uma cerveja e pensa em gin feito de fécula de batata. Pensa em cigarros como pensava há 25 anos. Como compensadores, passíveis de fazer uma dor desaparecer. Não é assim. O telemóvel vibra de novo. Irritante. E ela atira o telemóvel pela janela. Por fim, um modo de ser só.