A vida é curta para só ser vivida ao fim-de-semana. É preciso aprender a calar a algumas coisas, dizer outras. A mulher cruzou-se com uma amiga no Chiado. Disparatou como é, por vezes, tão habitual nela. Faz justiça ao rótulo que tanto lhe colam: bruta. Frontal é diferente de bruta. E ser bruta é má educação. Logo, foi mal educada. E pediu desculpa, de imediato, ao telemóvel. Não se senti bem consigo, com a sua pele. Jurou calar-se para sempre, sabendo que a jura não tem qualquer validade. Depois, voltou ao mesmo: a vida é curta para só se viver ao fim-de-semana. E ela nem ao fim-de-semana tem vida digna desse nome. E a amiga também não. Faz um esforço para não se queixar. Odeia ter de dizer que está cansada. Odeia mulheres que passam o dia com lamúrias. Não odeia, é excessivo. Não gosta. Enfim. Podia mudar de pele?