Enquanto eu durmo aqui
há monstros animais
que de cinzento pardo
vêm cá da carne
em pesadelos ancestrais
e andam por aí
mostram-me os sinais
do negro desengano
que ao descer do pano
tu trazer-me vais.
Chega lá do sol
não me moça mais
basta uma ave minha para saber
que os dias podem adormecer
não serão iguais.
Quando eu te sorir
mente a bagunçar
viver-te em mano a mano
faz-de conta que arde em busca de ilusão
mas humano estando assim
nunca se lhe dá o irmão
muito fã faminto
pode ser
que a vida vá desenvolver
o mais humano sentimento são.
O meu espanto é dor
sonho que acordou
até o céu chorou
como eu nunca vi
doce amor
que eu conheci.