O mais velho aguentou as três horas de Haydn e ainda disse que Mozart lhe terá roubado umas coisinhas, nada mais certo, coisa de mestre e discípulo.
O mais novo viu futebol, nada de novo a Oriente.
As conversas fluiram daqui para ali à mesa de jantar com três homens que se conhecem há mais de vinte. Nós? Intrusos daquela família lógica.
O telemóvel permanece desligado e antes assim.
Dizem-me que Marte está a passar na casa do meu nascimento. Fico feliz por Marte, se não me engano, quer dizer "crescer". Espero que Marte cresça e, quem sabe?, possa pôr alguma ordem nisto. Nisto é abrangente e sem compromisso como se gosta de momento. Algumas pessoas. Não é o meu caso.
Ninguém se importará com o que eu penso ou sei.
Haydn era mestre de Mozart, hoje o Porto joga com o Sporting, sou do Belenenses e não suporto o jogo, a beleza do jogo, as negociatas do jogo, bla bla. Nesse aspecto, não cresci. Por outro lado, enquanto me deixo estar no silêncio e quente do quarto, posso sempre escrever e, no escrever não está o ganho, mas enche quem precisa de dizer ou gritar umas coisas.
Eu não grito, escrevo.
Eu tenho coisas para dizer? Hoje?
Nem por isso.