Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016

quarta-feira

O barulho das obras dura há anos. É contínuo e parece-lhe viver num estaleiro. De repente, a cama pode tombar com excesso de fuligem, ou mergulhar em cimento. Ainda está naquela fase em que o sono domina, mas são oito da manhã e as obras começaram na casa ao lado, na casa de cima, no prédio da frente ou simplesmente na cabeça da mulher que, enjoada, coberta de pó, com as mãos gretadas, tenta sair da cama e não consegue. Há um enjoo que permanece, antigo. Ignora o espelho na casa de banho e procura consolo na água que escorre sem grande pressão. Fecha os olhos e imagina a negritude da água, restos no esgoto, mais um destroço colateral da obra. A mulher pensa

Sou responsável pelos meus actos e pouco mais.

 

publicado por Patrícia Reis às 21:00
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