Domingo, 26 de Janeiro de 2014

quero que saibas que ainda não te disse nada

 

Foi na lentidão do trânsito lesma da cidade abafada pela música que ela decidiu que estava na hora de ir para casa. Ser feliz. Com o que tinha. Foi no trânsito que foi debitando as letras das canções e fazendo uma lista mental de todas as coisas que nunca tinham feito juntos. Anos e anos de amor preso numa pequena cápsula protectora onde cabiam as mãos dos dois.

 

Quero que saibas que ainda não te disse nada

 

Pedro Abrunhosa. E na cabeça dela os pensamentos, como camadas, andavam a correr, à procura da resposta que mais ninguém lhe podia dar. Há canções que são misteriosamente nossas.

 

Deixa-me ir para fora do teu centro.

 

Márcia. E continuou a cantarolar, a pensar que os seus pensamentos, fossem o que fossem eram estranhos, todas as pessoas os têm, todos se acham especial. Para ela pouco fazia, ter a vida em suspenso era insuportável. Tudo tinha de morrer na cabeça, com maior ou menor lentidão, mas era um processo interior que aceitava agora com uma certa bonomia. Só queria chegar a casa.

 

...for all us beneath an angry star, lest we forget how fragile we are

 

Sting. Ele tinha dita, há muito tempo, que era uma jukebox. Ela sorriu. Quando percebeu que já tinha conseguido optar por si, o trânsito começou a andar. Rapidamente estaria em casa.

publicado por Patrícia Reis às 01:15
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