Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

segunda-feira

A empregada trouxe mais um pouco de molho numa espécie de terrina cuja fealdade podia ser quase ofensiva. A mulher comeu o bife devagar, com uma certa ideia de sacrifício, e relembrou algumas frases que tinha ouvido de manhã no consultório do quiroprata.

Acha que ela está deprimida?

Ela. A amiga que consulta o mesmo médico e sobre a qual se fala sem pudor. A mulher tentou não ouvir a voz esganiçada, a falar a 200 km/h. Impossível. Suspirou fundo e ficou à espera que a outra mulher se calasse ou, simplesmente, pagasse a consulta e seguisse caminho. Agora, no restaurante, perante o tal bife sem história, pensava como tudo era quase difícil de resolver. A coluna, a voz dos outros, a necessidade de comer, o sabor do bife, a conversa a começar. O seu interlocutor disse algo com graça e a mulher riu-se. Riram-se em conjunto e a segunda-feira parecia recuperar da exaustão da manhã.

publicado por Patrícia Reis às 17:33
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